Conheça o Novo Ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro
- Matheus Figueiredo

- 9 de dez. de 2018
- 4 min de leitura
Nomeado hoje como novo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles vem com uma história que preocupa os ambientalistas. Entenda um pouco mais sua trajetória ambiental.

Ricardo de Aquino Salles é um administrador e advogado brasileiro. Fundou em 2006 o Movimento Endireita Brasil (MEB) e foi anunciado como ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro. Apesar do breve parágrafo, sua história na política ambiental tem muito o que falar.
Em 18 de julho de 2016, Ricardo Salles assumiu a Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo. Suas propostas essenciais foram reduzir os conflitos entre ambientalistas e a agricultura que segundo ele: “é o único setor da economia brasileira que vai bem” (essa afirmação você pode ver aqui). Já questionado por defender a ditadura e, durante a campanha eleitoral deste ano para deputado federal, chegou a sugerir o uso de munição de fuzil contra a esquerda e o MST, sua chegada preocupa os ambientalistas de todas as partes.
No início de 2017, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar supostas interferências no zoneamento do plano de manejo da Várzea do Rio Tietê. No processo, o MP de São Paula relata: " Conforme demonstrado, RICARDO DE AQUINO SALLES, ROBERTA BUENDIA SABBAGH e DANILO ANGELUCCI DE AMORIM fraudaram o processo administrativo SMA n. 7.324/2013, agindo com a clara intenção de beneficiar setores econômicos e empresas ligadas à FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Embora exerçam funções que visam a garantir a indenidade do meio ambiente, todos praticaram atos contrários ao Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Tietê". " Os demandados incluíram “demandas” da FIESP, inclusive que já haviam sido rejeitadas no momento oportuno. Por conta da atuação dos dois primeiros, também foram modificados 6 (seis) mapas elaborados pela Universidade de São Paulo a pedido da Fundação Florestal e a própria minuta de decreto do Plano de Manejo da mesma APA-VRT (onde é localizado o Tietê). Alguns funcionários da Fundação Florestal foram pressionados a alterar mapas que não correspondiam à discussão havida no órgão competente".
De acordo com Salles, essa seria uma polemização da indústria da consultoria de meio ambiente, que se viu atingida quando a atual gestão propôs uma reformulação na realização dos planos de manejo.
Em outro inquérito, o secretário passou a ser investigado por ter realizado chamamento público, sem autorização legislativa, para a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal, onde a por nota oficial da APqC ( Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo), ao pedir a investigação no MP, transcreve a afirmação de que o chamamento público resultado no dia 26 de janeiro de 2017, em um encontro com particulares interessados nas 34 áreas “sem permitir a livre participação da população, a portas fechadas, o que fere princípios básicos da Administração Pública, e dá causa à nulidade”. Durante a gestão da pasta verde no governo estadual, Salles foi constantemente criticado por pesquisadores e ambientalistas por tomar decisões sem levar em consideração aspectos técnico-científicos.
Seu nome vinha sendo cotado para assumir o Ministério do Meio Ambiente (MMA) no governo de Bolsonaro, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou seu apoio à possível indicação de Ricardo Salles para o comando da pasta. “A entidade acredita que a experiência de Salles pode trazer modernidade, segurança jurídica e eficiência para a gestão do Ministério”, afirmou em nota.
Semanas antes da indicação ser oficializada, a SRB enviou uma carta ao presidente eleito Jair Bolsonaro em defesa de Salles, argumentando que o advogado pode conciliar as exigências do meio ambiente aos desafios da agricultura para ampliar a competitividade do setor de forma objetiva, com prioridade ao respeito às leis e às instituições.
Diante desse novo protagonista, o cenário catastrófico é inevitável. A indicação do novo ministro mostra que segue viva a ideia de subordinar o Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Em nota, a organização ambientalista Observatório do Clima argumenta: "Se por um lado contorna o desgaste que poderia ter com a extinção formal da pasta, por outro garante que o Ministério do Meio Ambiente deixará de ser, pela primeira vez desde sua criação, em 1992, uma estrutura independente na Esplanada. Seu ministro será um ajudante de ordens da ministra da Agricultura. O ruralismo ideológico, assim, compromete o agronegócio moderno – que vai pagar o preço quando mercados se fecharem para nossas commodities".
Está clara as intenções de Jair Bolsonaro para a pasta ambiental em seu governo, temos que ter em mente que o enfraquecimento das leis ambientais para o desmatamento está cada vez mais real e estamos de mãos atadas para o futuro do que resta do Cerrado e da Floresta Amazônica.
Ainda relacionada ao que chamamos de a "semana negra do meio ambiente", foi retirada a candidatura do Brasil para sediar a próxima Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU no ano que vem, a COP25, atraindo holofotes tanto nacionais como internacionais para o setor ambiental.
Agora com sua equipe de ministros formada, Bolsonaro tem um ministro do meio ambiente réu de inquéritos ambientais, sem formação acadêmica ou efetiva vivência na área ambiental quebrando todos os antigos protocolos dos ex ministros do MMA e um ministro de relações exteriores que não acredita em mudanças climáticas, ameaçando as conquistas das políticas ambientais que vem desde 1972. Como será daqui pra frente? Resta nos posicionarmos para diminuir o máximo possível os efeitos colaterais negativos da nova política que se instala no Brasil.
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